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PGR decide apurar suposta ameaça de Braga Netto às eleições de 2022

Segundo jornal, ministro da Defesa teria enviado recado ao presidente da Câmara com ameaças. Na ocasião, Braga Netto negou ameaça e chamou reportagem de 'desinformação'.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a abertura de uma apuração preliminar para avaliar suposta ameaça do ministro da Defesa, Braga Netto, às eleições de 2022.

 

Em julho, o jornal "O Estado de S. Paulo" afirmou que Braga Netto teria enviado um recado por interlocutores ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ameaçando cancelar as eleições 2022 se a PEC do voto impresso não fosse aprovada -- a Câmara rejeitou a proposta.

 

Quando a reportagem foi publicada, Braga Netto negou ter feito ameaça, chamou o conteúdo de "desinformação que gera instabilidade" e declarou que as Forças Armadas são comprometidas com a manutenção da democracia (leia detalhes mais abaixo).

 

O ministro disse, contudo, ser "legítima" a discussão sobre o voto impresso, já julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

 

Repercussão

 

Parlamentares acionaram o Supremo pedindo que as supostas ameaças de Braga Netto sejam apuradas, diante do risco para a estabilidade democrática para o país. Há pedidos para que o ministro da Defesa responda por crimes previstos na Lei de Segurança Nacional e por crime de responsabilidade.

 

Relator do caso, o ministro Gilmar Mendes determinou que a PGR se manifestasse sobre os pedidos dos parlamentares.

 

Em manifestação ao STF, Aras informou que há uma apuração preliminar aberta para apurar os fatos envolvendo Braga Netto e questões conexas e que, se surgirem indícios, pode pedir uma investigação formal contra o ministro.

 

O que diz Braga Netto

 

Após a publicação da reportagem, Braga Netto emitiu nota em que chamou o texto de "desinformação que gera instabilidade" e disse que não conversa com presidentes de poderes "por meio de interlocutores".

 

"Foi publicada uma reportagem na imprensa que atribui a mim mensagens tentando criar uma narrativa sobre ameaças feitas por interlocutores a presidente de outro poder. O ministro da Defesa não se comunica com os presidentes dos poderes por meio de interlocutores. Trata-se de mais uma desinformação que gera instabilidade entre os poderes da República em um momento que exige a união nacional", afirmou na ocasião.

 

Ainda segundo Braga Netto, o Ministério da Defesa reitera que as Forças Armadas "atuam sempre e sempre atuarão dentro dos limites previstos na Constituição".

 

"A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições nacionais, regulares e permanentes, comprometidas com a sociedade, com a estabilidade institucional do país e com a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro", afirmou.