Notícias

Grupo protesta contra Prevent Senior em SP por 'justiça aos mortos da Covid-19'

Manifestantes levaram cartazes com os dizeres 'óbito não é alta' e 'Bolsonaro Genocida'. Eles jogaram tinta vermelha na fachada da empresa, que registrou boletim de ocorrência por pichação. Operadora é acusada por ex-médicos de ocultar mortes de pacientes por Covid e do uso de tratamentos ineficazes contra a doença.

Um grupo de manifestantes protestou na manhã desta quinta-feira (30) na sede da Prevent Senior por "justiça aos mortos da Covid-19".

 

A operadora de planos de saúde é acusada por ex-médicos de inúmeros crimes, dentre eles, ocultar mortes de pacientes por Covid e do uso de tratamentos ineficazes contra a doença.

 

Por conta das denúncias, a empresa se tornou pivô de um dos maiores escândalos médicos na história do Brasil.

 

Os manifestantes levaram cartazes com os dizeres "óbito não é alta" e "Bolsonaro Genocida". Eles também jogaram tinta vermelha na fachada da empresa.

 

Segundo a PM, o protesto ocorreu de forma pacífica.

 

A empresa registrou no 78° DP, no Jardins, um boletim de ocorrência contra o movimento por pichação.

 

 

Denúncias

 

No começo do ano, médicos denunciaram à GloboNews que a diretoria do plano de saúde Prevent Senior os obrigou a trabalhar infectados com Covid-19 e a receitar medicamentos sem eficácia para pacientes.

 

Depois disso, um dos médicos inclusive registrou um boletim de ocorrência em que relata ter sofrido ameaças do diretor-executivo da operadora de saúde, Pedro Benedito Batista Júnior.

 

Agora, a CPI da Covid-19 investiga um dossiê que aponta que a Prevent ocultou mortes em um estudo com hidroxicloroquina, remédio que não funciona contra Covid.

 

Os indícios da fraude aparecem em documentos e áudios e, segundo os documentos, houve pelo menos o dobro de mortes entre os pacientes tratados com cloroquina analisados pelo estudo.

 

A suposta pesquisa seria um desdobramento de um acordo da operadora de planos de saúde com o governo federal, e teria resultado na disseminação do uso da cloroquina e de outros medicamentos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já descartou o medicamento para esse tipo de tratamento.

 

A Prevent repudia as denúncias e afirma que "sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais”. O diretor-executivo do plano de saúde, Pedro Batista Júnior, foi ouvido na CPI na quarta-feira (22) e afirmou que foram os pacientes que passaram a exigir a prescrição da cloroquina, mas confirmou que a operadora orientou médicos a modificarem, após algumas semanas de internação, o código de diagnóstico (CID) dos pacientes que deram entrada com Covid-19.

 

 

Além da CPI da Covid-19, no Congresso Nacional, a operadora é investigada pelo Ministério Público Federal, pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo e pela agência reguladora dos planos de saúde, a ANS.

 

Em São Paulo, Ministério Público iniciou uma investigação ainda em março sobre a distribuição do "kit Covid" pela Prevent Senior.

 

Neste mês, após novas denúncias, o MP criou uma força-tarefa, para apurar as denúncias contra a empresa.

 

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, disse que profissionais médicos e diretores da Prevent Senior poderão responder por crime contra a vida, caso fique comprovado o uso de tratamentos ineficazes contra a Covid-19 em pacientes da operadora.

 

fonte: G1